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PENSADORES DA GLOBALIZAÇÃO: MILTON SANTOS, MANUEL CASTELLS E DAVID HARVEY.

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Olá, Humanoide.

Preparamos um resumo sobre Globalização à luz de três teóricos muito importantes sobre o tema: Milton Santos, Manuel Castells e David Harvey.

Boa leitura.

Milton Santos é uma referência fundamental para entender a globalização de forma crítica, especialmente sua visão sobre o “perverso” e o “território usado”. Ele diferencia a globalização “para poucos”, baseada no capital financeiro, da globalização “para todos”, que teria um potencial mais inclusivo. Foi bastante crítico em relação ao conceito de “Aldeia Global”, especialmente na forma como foi propagado por pensadores como Marshall McLuhan. Enquanto McLuhan via a Aldeia Global como uma consequência positiva da globalização, com o mundo se tornando mais interconectado pela mídia e pela tecnologia, Santos enxergava essa ideia de forma diferente.

Para Santos, a globalização na prática não criava uma aldeia inclusiva, mas sim uma divisão profunda entre os que têm acesso aos benefícios dessa interconexão e os que são excluídos dela. Ele argumentava que essa visão otimista ignorava as assimetrias e desigualdades globais, uma vez que a globalização econômica beneficiava majoritariamente as elites e concentrava o poder nas mãos de poucos, enquanto a maior parte da população mundial permanecia marginalizada.

Portanto, ele criticava a “Aldeia Global” como uma visão ingênua e superficial da globalização, desconsiderando as profundas desigualdades sociais e econômicas que ela reforçava.

Manuel Castells é um dos sociólogos mais influentes na análise da globalização, especialmente por seu trabalho sobre a sociedade em rede. Suas principais contribuições giram em torno da transformação das estruturas sociais e econômicas na era da informação. Aqui estão alguns dos principais pontos que ele aborda:

1. Sociedade em Rede: Castells argumenta que vivemos em uma “sociedade em rede”, na qual as tecnologias da informação e da comunicação (TICs) transformaram as relações sociais e econômicas. Ele explica que essas redes globais, facilitadas pela internet e outras tecnologias, são o novo modo de organização social e econômica, substituindo as formas tradicionais hierárquicas e centralizadas.

2. Economia Informacional: Castells descreve como a economia global passou a depender cada vez mais da produção, processamento e distribuição de informações. Isso marca uma transição de uma economia industrial para uma economia informacional, onde o conhecimento e a inovação se tornam os principais motores de produção de riqueza.

3. Globalização e Desigualdade: Assim como Milton Santos, Castells reconhece que a globalização não traz benefícios uniformes. Ele afirma que as redes globais excluem grandes partes da população mundial que não têm acesso às novas tecnologias e ao conhecimento. Isso cria uma “divisão digital”, exacerbando as desigualdades sociais e econômicas.

4. O Poder das Redes: Castells enfatiza que, na sociedade contemporânea, o poder reside na capacidade de controlar e organizar essas redes. Ele mostra como o poder político, econômico e até cultural se desloca para aqueles que têm o controle sobre os fluxos de informação e a infraestrutura das redes.

5. Identidade e Movimentos Sociais: Em seu estudo sobre a globalização, Castells também destaca o papel das identidades na resistência contra a homogeneização cultural. Ele observa como movimentos sociais, baseados em identidades culturais, étnicas e regionais, emergem como forma de resistência contra o poder hegemônico das redes globais.

Essas ideias são centrais na obra de Castells, particularmente em sua trilogia “A Era da Informação”, onde ele explora o impacto da tecnologia e da globalização na economia, na sociedade e na política.

David Harvey é um dos mais influentes geógrafos e teóricos marxistas contemporâneos, e suas contribuições para o entendimento da globalização são bastante significativas. Ele oferece uma análise crítica do capitalismo global e dos processos espaciais que o acompanham. Aqui estão algumas de suas principais contribuições:

1. Aceleração do Tempo e Compressão do Espaço: Harvey cunhou o conceito de “compressão espaço-temporal” para descrever como a globalização, especialmente sob o capitalismo, acelera o tempo (processos econômicos, produtivos e financeiros) e comprime o espaço (aproxima locais distantes por meio da tecnologia e dos transportes). Isso transforma a percepção das distâncias físicas e culturais e intensifica a interconexão global.

2. Acumulação por Despossessão: Uma de suas ideias centrais é que o capitalismo contemporâneo opera por meio da “acumulação por despossessão”, uma expansão das ideias de Marx sobre a acumulação primitiva. Harvey argumenta que a globalização continua a expropriar recursos, terras e trabalho de populações vulneráveis, como vemos em processos de privatização, gentrificação, destruição de commons (bens comuns), e financeirização. Isso é particularmente visível em países em desenvolvimento e em áreas urbanas.

3. Urbanização e Capitalismo: Harvey também se concentra na urbanização como um fenômeno crucial da globalização. Ele explora como as cidades se tornaram o epicentro do capital global e da luta de classes. A urbanização, para ele, é um mecanismo de absorção do capital excedente, onde o capital é investido em infraestrutura urbana, habitação e especulação imobiliária, muitas vezes resultando em exclusão e desigualdade social.

4. Crítica à Neoliberalização: Harvey critica profundamente o neoliberalismo, que ele vê como a ideologia dominante da globalização. Ele analisa como o neoliberalismo, ao promover mercados livres e a desregulamentação, aprofunda as desigualdades econômicas e sociais, ao mesmo tempo que retira do Estado a capacidade de controlar ou mitigar os efeitos negativos desse modelo.

5. Globalização como Parte da Crise Capitalista: Harvey vê a globalização como uma resposta às crises recorrentes do capitalismo. Ele argumenta que o capital precisa expandir continuamente para evitar crises de superacumulação, e a globalização é uma forma de abrir novos mercados, novas formas de exploração e novas oportunidades de investimento.

Essas contribuições são fundamentais para entender a globalização como um processo interligado com as dinâmicas do capitalismo, especialmente a financeirização, a urbanização e a desigualdade. Em seu livro “Condição Pós-Moderna” e em outras obras, ele desenvolve esses conceitos de forma crítica, oferecendo uma visão clara das contradições do sistema capitalista global.