Pular para o conteúdo
Home » Blog » CIÊNCIA GEOGRÁFICA

CIÊNCIA GEOGRÁFICA

  • por

A Ciência Geográfica, ao longo de sua evolução, tem desempenhado um papel crucial na compreensão e interpretação do mundo que habitamos. Desde os primórdios da humanidade, quando nossos ancestrais buscavam entender as formas da Terra e sua relação com suas vidas, até os dias de hoje, onde os avanços tecnológicos nos permitem analisar a superfície terrestre em detalhes sem precedentes, a Geografia tem sido uma disciplina em constante evolução.

Ao longo da história, o pensamento geográfico passou por diversas fases e escolas de pensamento. Desde as primeiras tentativas de mapeamento e descrição das terras conhecidas até as teorias modernas sobre sistemas complexos e interações ambientais, os geógrafos têm buscado entender os padrões e processos que moldam nosso planeta.

Com o advento da era digital, ferramentas como sistemas de informação geográfica (SIG) e sensoriamento remoto revolucionaram a forma como coletamos, analisamos e visualizamos dados geográficos. Isso permitiu uma compreensão mais profunda dos fenômenos naturais e humanos, além de abrir novas perspectivas para a pesquisa e o planejamento.

A evolução da Ciência Geográfica reflete não apenas o progresso tecnológico, mas também mudanças nas perspectivas teóricas e nos enfoques de pesquisa. Desde a ênfase inicial na descrição e classificação das paisagens até a abordagem contemporânea centrada na análise espacial, na sustentabilidade e nas questões globais, a Geografia tem acompanhado e respondido aos desafios do seu tempo.

Em resumo, a Ciência Geográfica continua a evoluir como uma disciplina dinâmica e relevante, desempenhando um papel fundamental na compreensão dos processos que moldam nosso mundo e na busca por soluções para os desafios enfrentados pela humanidade.

Princípios da Geografia

No século XIX, com o surgimento da Geografia como ciência, se fez necessária a definição de princípios metodológicos, que lhe conferem o devido caráter científico. Os princípios formulados são:

  • Extensão – concebido por Friedrich Ratzel (1844-1904): todo fenômeno geográfico tem sua ocorrência em determinada porção do território, que pode ser delimitada.
  • Analogia – também chamado Geografia Geral, exposto por Karl Ritter (1779-1859) e Paul Vidal de La Blache (1845-1918): todo fenômeno geográfico deve ser comparado a outros do mesmo tipo, para se estabeleceram semelhanças e diferenças e facilitar sua compreensão.
  • Causalidade – formulado por Alexander von Humboldt (1769-1859): todo fenômeno geográfico tem uma ou mais causas, que devem ser buscadas e explicadas.
  • Atividade – formulado por Jean Brunhes (1869-1930): todo fenômeno geográfico tem um caráter dinâmico, portanto seu estudo deve compreender sua extensão e conexidade com o tempo, pois os fatos nunca estão isolados.
  • Conexidade ou interação, apresentado por Jean Brunhes (1869-1930): os fatos não são isolados, e sim inseridos num sistema de relações, tanto locais quanto interlocais.

Correntes ou Escolas do Pensamento Geográfico

Positivismo é uma concepção filosófica e metodológica, e foi por meio dessa corrente de pensamento que a Geografia deixou a Idade Clássica, e ingressou na Era Moderna, que trouxe um novo discurso para a Geografia, exigindo um saber sistematizado e a possibilidade de afirmar proposições a partir de um certo grau de precisão, nos limites de uma linguagem lógica. Foi nesse palco que os geógrafos ergueram os pilares da Geografia Tradicional. Os intelectuais vinculados às correntes, determinismo ambiental, possibilismo e o método regional intentaram as primeiras tentativas de generalização feitas pelos geógrafos do período moderno. Vamos apenas relembrar as principais características da Geografia Positivista: redução da realidade ao mundo dos sentidos, existência de um único método de interpretação, comum a todas as ciências, a Geografia é uma ciência de síntese. O pensamento geográfico também se sustentou à custa de alguns princípios elaborados no processo de constituição dessa disciplina, e tidos como inquestionáveis, são eles: princípio da unidade terrestre – a princípio da individualidade, princípio da atividade, princípio da conexão, princípio da comparação e princípio da extensão.

1. Determinismo geográfico

O determinismo na geografia surgiu primeiramente no século XIX, na Alemanha, com Friedrich Ratzel. O estudioso acreditava que o meio seria o determinante na vida do ser humano – em outras palavras, o ser humano reflete apenas o espaço e as características naturais e fisiográficas do local onde vive.

Na visão do determinismo, o homem é um produto do meio – o que hoje seria visto como uma visão preconcebida da sociedade. O determinismo surgiu numa época em que o imperialismo tomava o mundo. As potências europeias, por sinal, encontraram nele uma “explicação” adicional para validar os seus direitos de submissão e conquista de nações ao redor do mundo.

Entre as principais ideias dessa corrente está a teoria do espaço vital, em que o espaço é determinante e características físicas como relevo, clima, vegetação e hidrografia são decisivas na formação da sociedade. Ainda que tenha mais de dois séculos, a corrente determinista ainda é em muito utilizada pelo senso comum, para generalizar aspectos regionais e locais de desenvolvimento.

2. Possibilismo geográfico

O possibilismo nasceu na França, no final do século XIX e início do século XX, com o pensador Paul Vidal de La Blache. Para ele, o homem (sociedade) consegue adaptar o meio pela técnica, pelo trabalho. O termo possibilismo foi cunhado pelo historiado Lucien Febvre – como forma de confrontar as ideias do determinismo.

La Blache dedicou-se à ideia de gênero de vida, com base na relação entre sociedade e espaço. O homem não era mais um produto do meio – ao contrário – era o agente capaz de modificar o meio através da técnicas, das revoluções tecnológicas e da sua própria ocupação e estilo de vida.

3. Método regional

Corrente que enfatiza a aplicação do princípio da analogia, isto é, da comparação entre duas situações, locais ou circunstâncias.

Também conhecida por geografia regional, essa corrente busca a separação e segregação de características conforme áreas específicas, ou regiões. Por essa razão, por exemplo, o Brasil é dividido em regiões, além da divisão política por estados. Cada região compartilha de características climáticas, de flora e fauna, de relevo e até sociais que a distingue das demais. Assim, para entender melhor o espaço e as interações sociais dentro dele, a comparação e a diferenciação de áreas são elementos fundamentais.

Essa corrente ganhou maior notoriedade na década de 1940, com Richard Hartshorne e Alfred Hettner, que defenderam a importância de criar referenciais de análise por meio da comparação dos lugares – a comparação se dá por fatores ambientais e humanos, englobando aspectos defendidos pelo determinismo e pelo possibilismo ao mesmo tempo.

4. Geografia teorética ou quantitativa ou pragmática ou Nova Geografia

Essa teoria considera os números como fundamentais para explicar a sociedade e a natureza. Defende o uso de métodos matemáticos e estatísticos de quantificação dos fenômenos naturais e sociais para seu melhor entendimento.

Como exemplo claro de utilização dessa abordagem, grande parte dos estudos, dados e pareceres desenvolvidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), empregam análises quantitativas – entre elas o Censo.

Essa abordagem também ficou conhecida como Nova Geografia quando surgiu, após a Segunda Guerra Mundial, na década de 1950. Com dados e números, governos podiam criar e desenvolver indicadores socioeconômicos, bem como de institutos de análise baseados em recenseamentos para entender melhor a sociedade – entre eles o IBGE.

5. Geografia crítica

A corrente começou a se consolidar como escola de pensamento a partir da década de 1970, inicialmente na França, com o advento da obra “Geografia: isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra”, de Yves Lacoste. A postura de contracultura dessa abordagem garantiu o seu sucesso nos anos 1970 e 1980.

No Brasil, a geografia crítica foi defendida por Milton Santos, expoente da geografia brasileira, que acreditava no papel de denúncia, crítica e transformação social dos estudos geográficos.

Também conhecida como Geografia marxista (ainda que não possua qualquer influência direta do filósofo alemão), enxerga a sociedade procurando identificar seus problemas, suas contradições.

6. Fenomenologia ou Geografia humanística

A corrente tem como fundamentos os trabalhos realizados por Yi-Fu Tuan, Anne Buttimer, Edward Relph e Mercer e Powell. A fenomenologia é uma corrente empregada em diversas áreas das ciências humanas – trata-se do estudo da consciência, uma metodologia filosófica que ganhou espaço em diversas ciências.

É uma geografia focada nas relações humanas e sociais, onde o lugar, fisicamente falando, recebe menor atenção.

Quais são as categorias de análise da Geografia?

A ciência geográfica trabalha com um conjunto de cinco grandes categorias geográficas. Essas categorias são, na verdade, conceitos aplicados nos estudos geográficos diversos. A mais importante categoria da Geografia é o espaço geográfico, o conceito que exprime a relação entre o humano e a natureza, objeto de estudo dessa área da ciência. Além do espaço geográfico, são outras categorias da Geografia: paisagem, território, região e lugar.

→ Espaço geográfico

espaço geográfico é a unidade espacial construída e/ou modificada pela ação antrópica. Esse é o conceito mais importante na Geografia, visto que essa ciência busca entender justamente a relação entre ser humano e natureza por meio das transformações humanas empreendidas no espaço.

Assim, o espaço geográfico reúne o conjunto de elementos naturais e artificiais do planeta, sendo formado pelos diversos tipos de paisagem que foram transformadas pela ação antrópica ao longo do tempo.

→ Paisagem

paisagem é a categoria que reúne os objetos, naturais ou artificiais, do espaço geográfico, assim é conceitualmente entendida como a parte visível do espaço geográfico.

A paisagem reúne as características físicas e humanas de determinada região, assim como as práticas humanas empreendidas naquele local. Essa categoria é fundamental para visualizar as mudanças da ação antrópica no espaço geográfico. A paisagem é comumente dividida em paisagem natural e paisagem cultural.

→ Território

território é uma categoria da Geografia que representa um espaço delimitado por ações de poder. Assim, em territórios, aplica-se termos como fronteiras, divisas e limites — formas espaciais de definir determinado recorte especial. O poder exercido dentro de um território define sua espacialidade e, por conseguinte, as características da sociedade que habita aquele espaço.

Um território é mutável, conforme a ação das forças que atuam na sua construção e administração, como no caso da ocorrência de conflitos bélicos, em que comumente um país perde territórios para outro.

→ Região

A região é uma categoria da Geografia definida e delimitada espacialmente por meio de critérios comuns. Portanto, representa um recorte espacial que é classificado com base em pontos de interesse, normalmente para fins de administração.

Uma região compartilha, dentro da sua unidade espacial, determinadas características que justificam o agrupamento de diferentes localidades em uma única classificação regional. Um exemplo de regionalização tradicionalmente adotado é a divisão político-administrativa brasileira, que envolve a divisão do território do país em cinco grandes regiões: NorteNordesteCentro-OesteSudeste e Sul.

→ Lugar

lugar é uma categoria da Geografia que trata do recorte do espaço geográfico conhecido e habitado pelo ser humano. Assim, um lugar envolve certa significação por parte do ser humano, como: o seu lugar de nascença, o seu lugar de estudo e o seu lugar de moradia.

O conceito de lugar envolve todas as transformações que ocorreram no espaço geográfico ao longo do tempo e possui grande influência sentimental devido aos significados dados pela ação antrópica no meio espacial. Assim, o lugar é um conceito de forte individualidade e mutabilidade e envolve os significados aplicados no contexto da ciência geográfica